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Natal, 26 de Dezembro de 2013 | Atualizado às 20:27

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Preso em Natal o assaltante mais procurado do país

Quadrilha foi presa com grande quantidade de armas em Natal. Integrante do bando é especializado em assaltos a banco e atua há mais de 20 anos em crimes

07:03 09 de Fevereiro de 2013

Marco Carvalho
DO NOVO JORNAL

Ele tem mais de duas décadas de experiência no crime. A sua especialidade é roubar dinheiro em espécie, esteja no interior de caixas eletrônicos, em carros-fortes ou no cofre de bancos. E isso ele já fez muitas vezes. Pelas contas da polícia, ao menos 50 em diversas localidades no país, com foco nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. O homem apontado como referência em assaltos no país foi detido em Natal na tarde da quinta-feira passada. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil ontem.

Paulo Donizete Siqueira de Souza é conhecido como “Careca”, “Cachorro Louco”, “Gutemberg”, “Márcio” ou “Vírus”. As suas ações contra bancos e carros-fortes ganharam notoriedade em todo o país. Segundo informações da polícia, a sua habilidade para o crime era tamanha que ele chegou a ser tutor das ações da quadrilha liderada por Valdetário Benevides e Francimar “Cimar” Carneiro no Rio Grande do Norte.

Foto: Argemiro Lima/NJ.
Argemiro Lima/NJ
Cúpula da Segurança Pública comemora prisão de quadrilha perigosa
Donizete foi preso no distrito de Cajupiranga, em Parnamirim – Região Metropolitana de Natal – com outro comparsa também conhecido da polícia: João Maria dos Santos, vulgo “Gugu”. A quadrilha foi encontrada com forte aparato de armamento, explosivos e outros acessórios necessários para a prática de assaltos. A polícia acredita que a quadrilha estava na iminência de deflagrar outro ato criminoso. Uma planta baixa de uma empresa de segurança de valores foi apreendida com o bando.

O histórico de Donizete teve início em 1994. Ele é apontado como integrante da quadrilha de “Jorge Grampão”, que realizou um assalto contra a Caixa Econômica Federal em Boa Viagem, Recife. A atuação de “Cachorro Louco” ocorria principalmente na Bahia, Pernambuco e Ceará, com outros registros em Sergipe, Espírito Santo e Minas Gerais.

A sua atuação criminosa conta com episódios de grande repercussão. Um deles ocorreu no presídio de Segurança Máxima em Viana, Santa Catarina, no ano de 2003. De lá, ele escapou acompanhado de “Toninho Pavão”, que deixou um boneco no seu lugar na cela. A ambos foi atribuído o roubo de um avião de um hangar no aeroporto de Vila Velha, o que teria completado a fuga. Um mês depois foi capturado pela Polícia Federal. Antes da sua prisão em Natal nesta semana, alguns sites de notícias o classificavam como “um dos bandidos mais procurados do país”. No seu histórico, também constam sucessivas fugas de presídios. De dentro de uma unidade onde permaneceu preso em Natal, não deixou de comandar assaltos.

Outro episódio de repercussão ocorreu em 1999. Paulo Donizete é apontado como integrante da quadrilha liderada por um homem identificado apenas como “Fabinho”. O bando assaltou um carregamento de 600 quilos de ouro da empresa Vale do Rio Doce no Pará, em uma ação marcada pela violência.

Acompanhando o relato dos crimes, estão adjetivos que podem dar a dimensão da sua periculosidade: o “chefão” do crime organizado no Nordeste. Autoridades de segurança pública dos estados dos Ceará e Pernambuco também confirmaram a sua ligação com traficantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), famigerada facção paulista que teve origem dentro de unidades prisionais.

“Paulo Donizete é pro-curado há muito tempo, tem vários mandados de prisão só do estado da Bahia. A ele é reputado mais de 50 assaltos feitos em todo o país. É de alta periculosidade”, ressaltou ontem a delegada Sheila Freitas, titular da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor).

Foto: Cedida/Polícia Civil.
Cedida/Polícia Civil
Paulo Donizete
O perigo é confirmado pelo delegado aposentado Maurílio Pinto. Com mais de quatro décadas de atuação na Polícia Civil, Maurílio relata já ter cruzado o caminho de Donizete em algumas oportunidades. “Ele agia mais pelo Ceará, mas estávamos sempre na cola dele. Realmente, era muito perigoso”, disse o delegado.

A Polícia Civil agora passa a investigar a presença de outros membros da quadrilha que atuariam no Rio Grande do Norte. A Deicor irá apurar se a quadrilha liderada por Donizete atuou na explosão de caixas eletrônicos na cidade de São Paulo do Potengi, a 80 quilômetros de Natal. O Banco do Brasil da cidade foi invadido na madrugada do dia 19 de janeiro passado e teve terminais eletrônicos violados com utilização de explosivos. A ligação com outras ocorrências no estado também será apurada.

A reportagem tentou manter contato com Donizete, mas a polícia advertiu que, em virtude do perigo, não divulgaria a localização da sua detenção. Como há mandados de prisão abertos em outros estados, principalmente na Bahia, o criminoso deverá ser transferido.

Polícia apreende fuzis, pistolas, coletes e munição com quadrilha

A investigação da Polícia Civil, em parceria com a polícia da Bahia, durou pouco mais de um mês. Nesse período, o setor de inteligência da Secretaria de Segurança monitorou os passos da quadrilha. Na tarde da quinta-feira passada, eles foram flagrados e presos.

A ação teve início em Capim Macio, nas proximidades do Shopping Cidade Jardim. Lá, a polícia deu voz de prisão a João Carlos dos Santos. O homem resistiu e, segundo relato da polícia, avançou com o carro para cima dos policiais. Houve perseguição e João Carlos foi preso pouco tempo depois.

Em virtude da reação, o suspeito teve quer ser encaminhado para tratamento médico. Simultaneamente, outra equipe da Deicor acompanhou dois suspeitos na Grande Natal. Paulo Donizete Siqueira de Souza, “Vírus”, e João Maria dos Santos, “Gugu”. Em fuga, eles foram capturados em Cajupiranga, distrito de Parnamirim.

A partir daí, a polícia passou a inspecionar o local onde os homens moravam. Em diferentes apart hotéis em Ponta Negra – zona Sul de Natal -, encontraram uma surpreendente quantidade de armas, munições e acessórios para assaltos a banco. Na lista de material apreendido estão fuzis AR-15 com munições calibre 556 e um fuzil FAL de uso restrito do Exército Brasileiro com munições calibre 762.

Além disso, também foram apreendidos: duas pistolas calibre .40, uma espingarda calibre 12, duas granadas de mão, emulsão de dinamite, rádios comunicadores, grampos, coletes balísticos, coletes táticos, emblemas da Polícia Federal, um sinal de luz intermitente e R$ 60 mil em espécie. A polícia não tem dúvida de que a quadrilha estava prestes a agir no Rio Grande do Norte.

“Esse material é de alto poder destrutivo, poderia até ter explodido todo o apart hotel. Só demonstra como a quadrilha é organizada e que tem poder de fogo. E é bem maior”, afirmou a delegada Sheila Freitas, titular da Deicor. A delegada acrescentou que todo o material irá passar por perícia para utilização de informações em inquéritos policiais.

Uma garrafa de plástico recheada com um pó de cor bege chamou a atenção da polícia. O material era acompanhado por um dispositivo que contava com uma placa de metal e um imã. O objetivo: ser colado junto a um carro-forte para explodi-lo e roubar o dinheiro.

A delegada explicou que a decisão de deflagrar a operação que foi batizada de “Serpentina”, em razão da proximidade com o Carnaval: “Foi uma medida cautelar. Quando temos conhecimento dos fatos, temos o dever de impedir. Muitas vezes acontece sem que a gente possa impedir por falta de conhecimento. Mas na hora que tivermos o conhecimento, não vamos deixar acontecer. Porque é esse o nosso dever”.

Bandidos estavam prontos para agir no RN

O poder de fogo demonstrado pela quadrilha estava prestes a ser utilizado em alguma ação criminosa no Rio Grande do Norte. A interpretação feita pela Polícia Civil é ratificada por mais um elemento encontrado no apart hotel onde o bando estava hospedado: uma planta baixa de uma empresa de segurança de valores. O documento estava riscado com uma caneta azul apontado o alvo da quadrilha: “cofre do caixa-forte”.

A polícia ainda não conseguiu identificar, a partir da planta baixa, qual seria a empresa a ser atacada. A delegada ressaltou a organização da quadrilha. “Eram muito organizados. Era uma quadrilha que tinha um potencial financeiro muito alto. Há inúmeros depósitos em contas correntes do bando. Eles se articulavam trazendo pessoas de fora e eram comandados no estado pelo ‘Gugu’”, disse, fazendo referência a João Maria dos Santos.

A ação da Deicor foi bastante elogiada pela Secretaria de Segurança, Aldair da Rocha. O titular da pasta classificou a operação como “uma das mais bem sucedidas” da sua gestão. “É uma vitória que tem de ser comemorada. Sabemos que temos que fazer muito pela segurança, mas pode ter certeza que estamos contando com a força dos nossos policiais. O objetivo era desbaratar essa quadrilha fortemente armada e que com esse armamento atacavam instituições financeiras e carros-fortes. A missão foi cumprida”, afirmou Aldair da Rocha.

Para o delegado-geral da Polícia Civil, ainda há a possibilidade de que outros integrantes das quadrilhas sejam capturados. “Muita coisa ainda vai aparecer. Eles não estão sós. Ainda tem gente escondida em outros lugares e possivelmente essas pessoas irão cair durante a investigação”, informou.

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