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Natal, 16 de Setembro de 2013 | Atualizado às 20:16

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Medo de mudar

Coluna Roda Viva, do jornalista Cassiano Arruda Câmara, publicada na edição deste sábado (18) do NOVO JORNAL

07:27 18 de Maio de 2013

Cassiano Arruda Câmara
DO NOVO JORNAL

Se existe um ponto que ninguém discute é sobre a absoluta necessidade de radicais mudanças no trânsito de Natal, depois que a questão da mobilidade (ou falta de) tornou-se o maior problema para quem vive nesta cidade.

Proporcional ao tamanho do problema vem sendo a falta de vontade política de enfrentar o problema e sobretudo a resistência contra as mudanças que serão indispensáveis. A questão da mobilidade não vai ser resolvida apenas com a realização das grandes obras de infra-estrutura que estão projetadas já há algum tempo, e algumas delas com recursos destinados, embora nenhum desses projetos – que se arrastam há mais de quatro anos – tenha conseguido sair do papel.

Não é difícil entender o tamanho do problema a partir de uma situação inquestionável: o número de veículos em circulação, nos últimos anos, vem crescendo em proporção geométrica mas a infra-estrutura urbana continua a mesma de 50 anos passados, com pouquíssimas modificações.

Fora isso, há um ponto crucial, que precisa ser enfrentado imediatamente. Não dá mais para esperar. É a completa falta de gestão e de fiscalização do trânsito. Uma atribuição que cabia ao Estado e foi transferida para a Prefeitura que nunca deu ao problema a sua devida importância, e que – no momento – atinge um ponto crítico, em razão da completa ausência da sua presença. Não existe pessoal em número suficiente para as necessidades, nem se conhece qualquer estudo sério para tratar do assunto.

Com a ausência da fiscalização oficial, são os “flanelinhas” que na prática tentam impor alguma “ordem” no setor. Uma ordem sem nenhuma preocupação sistêmica e subordinada ao interesse imediato de quem sonha receber algum tipo de gorjeta.

Por maiores que sejam as demonstrações da grande maioria da população, as iniciativas para atender essas demandas continuam muito tímidas, e não têm merecido a devida prioridade. Pior vem sendo a acomodação de expressivas lideranças que reagem às indispensáveis propostas de mudança. Como não existe rua suficiente para receber tanto carro, o lógico é restringir a circulação de determinados tipos de veículos. Começando pelos que causam maior problema e podem ser agrupados em determinados horários. Como acontece em muitas cidades com os carros de serviço. A etapa seguinte será a implantação de rodízio pelo número das placas. Quando alguém como alguma representatividade reage a essas mudanças, fica parecendo que essa acomodação reflete o índice de satisfação com o estado atual. Alegar aumento de custos de algum setor termina virando zombaria diante do drama da população imóvel. Muito mais caro é privar o cidadão do direito constitucional de ir e vir.

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