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Natal, 16 de Setembro de 2013 | Atualizado às 20:59

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Qual a função do jornalismo em momentos de crise?

Por motivos de saúde, Roberto Guedes não escreve hoje seu jornal. Em seu lugar, texto de Carlos Castilho publicado no Observatório da Imprensa

07:29 24 de Julho de 2013

Carlos Castilho
Observatório da Imprensa

A resposta parece óbvia, mas não é. Os manuais de redação ensinam que a função do jornalista é manter o público informado para que ele possa tomar decisões. Num momento de crise, esta recomendação seria ainda mais importante porque a instabilidade da conjuntura torna difícil distinguir a informação dos boatos, o que aumenta a dificuldade das pessoas em formar opiniões.

Mas não é bem isto o que acontece. Em situação de crise, ou ameaça de crise, as redações acabam sendo levadas a assumir as mesmas posições das empresas para as quais trabalham e que, geralmente, colocam como prioridade principal os seus interesses corporativos, familiares, políticos ou ideológicos, às vezes tudo isto junto.

Os leitores e telespectadores estão acostumados a este tipo de situação porque já identificam em cada empresa jornalística um núcleo de interesses que nem sempre coincide com os seus. Os jornalistas sofrem o impacto de uma situação que, do ponto de vista profissional, é extremamente atrativa porque uma crise envolve momentos de tensão, mas, por outro lado, obriga o profissional a por em segundo plano o seu verdadeiro papel, na hora em que ele é mais relevante.

Estamos vivendo momentos que antecedem uma crise política e econômica cujos contornos reais ainda são impossíveis definir, mas que certamente estão relacionados ao processo eleitoral do ano que vem. Nesta conjuntura a imprensa joga um papel fundamental porque é ela que está determinando sobre o que as pessoas discutem. A imprensa não está impondo opiniões e nem posicionamentos políticos, mas está, claramente, “arrumando o campo” para a campanha eleitoral.

Meu colega Luciano Martins já identificou claramente como o processo está se desenvolvendo, qual a estratégia dos políticos, e mostrou o malabarismo informativo das empresas jornalísticas. Mas jornalismo e empresas jornalísticas não são a mesma coisa, o que levanta a questão do papel dos profissionais do jornalismo nesta conjuntura.

Nada contra que as empresas tenham os seus interesses e os seus candidatos, mas informação é outra coisa e tem a ver com o direito das pessoas saberem o que está acontecendo da forma mais isenta e verídica possível. Uma empresa está movida por uma lógica de negócios, portanto é compreensível que ela deixe de divulgar determinados fatos que a prejudicam desde que não impeça as concorrentes de fazê-lo.

Os empresários e negociantes entendem esta lógica. Quando você vai vender um carro usado não vai logo contando todos os defeitos e problemas. Mas, para o comprador, o essencial é justamente aquilo que não foi revelado. O mesmo acontece com os leitores, ouvintes e telespectadores, quando procuram saber o que está por trás da notícia e quais são os interesses embutidos nela.

Como os executivos de empresas jornalísticas misturaram deliberadamente interesses corporativos e o exercício do jornalismo, o público agora confunde uma coisa com outra, criticando as empresas por aquilo que seus jornalistas escrevem ou dizem. Para bem de um e de outro, é necessário separar as coisas e deixá-las bem claro, a começar pelo papel do jornalismo em tempos de crise.

Se as empresas pretendem resguardar sua credibilidade perante leitores, ouvintes, telespectadores e internautas, elas precisam deixar de agir como vendedoras de carros usados, ao ocultar do leitor os reais motivos de estratégias editoriais vinculadas a objetivos político-eleitoreiros.

E os profissionais das redações devem conquistar a autonomia necessária para destrinchar o complicado quebra-cabeça pré-eleitoral para que o público possa entender minimamente o tiroteio noticioso a que está sujeito em questões como inflação, plebiscito, médicos, violência urbana, só para citar os mais frequentes e atuais.

ESCLARECIMENTO DO TRT

Ao contrário do que publicou, equivocadamente, Roberto Guedes em seu “jornal” da quarta-feira (17), encaminhamos notícia publicada em nosso site na internet e já divulgado pela imprensa:

“TRT-RN: Natal e Mossoró ganharão mais uma Vara do Trabalho”

Os desembargadores do pleno do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) aprovaram, em sessão realizada na quinta-feira passada (11), a transferência de duas Varas do Trabalho, cuja instalação estava inicialmente prevista para funcionarem em Goianinha e Ceará-mirim, para Natal e Mossoró.

A modificação foi proposta pelo presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN), desembargador José Rêgo Júnior, levando em conta a queda considerável do número de novos processos na região de Goianinha e no Vale do Ceará-mirim.

Entre 2010 e 2012, a Vara de Goianinha recebeu uma média de 787 novos processos, o que significa uma média de 16 processos por semana ou três processos por pauta de audiência, considerando a realização de cinco sessões semanais.

Em Ceará-mirim, os números são semelhantes. Nos anos de 2010, 2011 e 2012, a Vara do Trabalho da cidade recebeu uma média de 729 novas ações nesse período, ou seja, 15 processos por semana ou apenas três por dia de audiência.

“Esses números não justificam a instalação de uma segunda Vara em Goianinha ou em Ceará-mirim e, por isso nós propomos a transferência delas para Natal e Mossoró, que têm uma média de 1.500 processos novos em Natal e 1.432 em Mossoró”, justifica o presidente.

Os desembargadores do TRT-RN aprovaram a proposta por unanimidade e, com a decisão, a capital terá sua 11ª Vara do Trabalho e Mossoró ganhará sua 4ª Vara do Trabalho.

(Coordenadoria de Comunicação Social – TRT-RN)
Coordenadoria de Comunicação Social do TRT
Por e-mail. 

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